sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Editorial: Se vira Maria!

Uma das grandes tendências do contemporâneo é o "do yourself", que reflete além da época de crise, um raciocínio compromissado com as questões que giram o mundo, fazendo com que as pessoas consumam menos mas com mais consciência, além de consumirem produtos fora de linha, produtos reutilizados e produtos de segunda mão. Isso porque a preocupação com o lixo e com o meio ambiente é real, principalmente no velho mundo. Aqui no Brasil (como qualquer outro emergente) temos esse raciocínio de deslumbre: A gente tem tanto mato que não ver problema numa queimadinha ou outra, a gente tem tanta água que não vê mal em lavar o carro todo fim de semana, ou lavar os pratos 4 vezes por dia, além da previsível desordem financeira que rolou no começo do ano: Estamos com mais dinheiro então vamos gastar tudo. Consequência, tá todo mundo endividado de novo. Mas, quem gira as "engrenagens da moda" são poucos, então vou focar nesse nicho de pessoas que não são deslumbradas, de pessoas que aprendem com os erros dos outros, que precisam passar por menos situações lamentáveis para adquirir uma conduta mais "sustentável" e que conseguem estar sempre bem sem precisar gastar mundos e fundos todo fim de semana pra se auto-afirmar perante o grupo que deseja. 
Uma coisa que é fato e que eu vi que poucas pessoas que "consomem moda" aqui em Brasília sabem, é que a roupa, depois de comprada, é sua! Isso mesmo, SUA! Sua pra você fazer o que te der na telha, pra usar do jeito que você entender como valido. E não custa nada experimentar. As pessoas devem fazer experimentos loucos com suas peças, tentarem outras maneiras de usar a mesma roupa, uma hora sempre sai algo legal, só tem que tentar.

(cardigã abotoado nas costas)


(saia: camisa social masculina customizada com spray)

Com criatividade, o desespero de olhar seu guarda-roupa e sair desesperadamente pra um shopping porque você acha que não tem roupa, simplesmente desaparece. A gente sempre tem roupa, é só da uma ajeitada aqui, uma cortada ali, mudar a proposta da peça e pronto, uma roupa novinha e exclusiva! Muitos estilistas, por conta dessa mesma tendência, projetam peças versáteis que se transformam em diversas outras, o que é muito bom, já que você pode passar um dia inteiro na rua e mudar de look quando quiser com as mesmas peças. Mas do que adianta o estilista se preocupar com versatilidade e as possibilidades da peça se o consumidor não entender que a roupa é dele pro que der e vier? Fica difícil sim, mas não impossível.

(short: jeans velho customizado)

(poncho: saia de malha customizada no tie-dye)

Pensar "eu tenho dinheiro, posso comprar tudo novo" é praticamente um auto-boicote nos dias de hoje, sendo que você pode observar em qualquer site ou blog de moda e comportamento um pouco mais descompromissado com a industria do consumo, que "it girls" por acidente, celebridades esclarecidas e formadores de opinião com opinião formada por conta própria já tem essa cultura enraizada nos seus visuais tem alguns anos, não é de agora que agente ouve falar em high/low, customização e brechós como as coisas mais legais do mundo, porque é o consumidor fazendo moda (e é ele, ou seja, a gente que faz essa bodega acontecer), com todas as possibilidades que já existiram, criando a sua moda o que consequentemente faz a "engrenagem girar". Até chegar na situação dos designer simularem essas situações nos "prêt-à-porter" de luxo, o que ficou chato pro consumidor de "luxo" clássico, afinal já tem um monte de gente na rua usando tudo isso e gastando muito, mas muito menos do que eles.

(tomara que caia: camisa social masculina tamanho G
saia: vestido vintage drapeado com alfinetes de segurança e com o forro amostra)

Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de bom senso! É uma questão de menos lixo, menos poluição, menos trabalho escravo, menos desigualdade social, menos ego e mais criatividade, mais seres-humanos fazendo o que eles sabem fazer: se adaptando as diversas situações do mundo. Descompromissadamente brincando de ser Deus um pouquinho todo dia, na hora de olhar pro guarda roupa e escolher a máscara que ele vai mostrar pro mundo naquele momento.

(camisa: robe de seda vintage
calça: Jeans masculino tamanho 46)

Pelo bem da possível cultura de moda que se constrói aos poucos aqui em brasília acredite em mim quando eu digo: Você pode ser a pessoa mais linda, mais bem vestida, mais moderna, mais antenada, mais tudo (não que a meta seja essa, no fundo, acho que a gente só não quer ser discriminado por alguma coisa) de um cocktail de luxo gastando o preço do esmalte da dondoca, misturando peças novas com peças da sua avó ou avô, usando da sua criatividade pra mostrar criatividade e o qual luxuoso é ser você, sem aparentar que você é um pobre coitado tentando se misturar com os "ricos" e estar no mesmo nivel deles.  É só experimentar, tentar, e não ter medo de ser feliz. O segredo de um bom look é a auto-confiança, se é mais fácil quando se gasta horrores numa roupa meia boca eu não sei, mas que quando a gente tem, a gente simplesmente brilha, seja de gucci ou de renner, a gente brilha!


(clique nas fotos para ampliar - acho um saco ter que escrever isso, todo mundo já sabe usar a internet ¬¬)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sobre máscaras


É sério, a gente devia realmente saber fazer valer a função de máscara da roupa para/e confundir, por conta própria, sem esperar aparecer na vogue ou coisa parecida. Se adaptar às situações com sabedoria e sem hipocrisia, meio que não é algo impossível como eu vejo muita gente falando. Cada ser que nasce cria um mundo peculiar, dele, que quando se juntam em grupos criam outros pequenos mundos, dele e dos outros, que quando se juntam com outros grupos criam outros mundos e assim por diante. O pensamento "preciso ter amigos, preciso ser popular, preciso ser bonito, preciso ser rico, preciso massagear meu ego e etc" não é o único raciocínio que existe e também não é sinônimo de esperteza, na verdade, é um raciocínio muito pequeno perto de tudo que faz esse mundo girar e as pessoas sabem disso, não se engane em achar que por que você conseguiu atingir todos esses ideais vazios sem esforço algum, todo mundo vai ter inveja de você (todo mundo conhece, ou conheceu, alguém que gosta de ter gente invejando o cidadão). Qualquer pessoa um pouco mais esclarecida e bem resolvida almeja algo bem maior do que o "conforto" (e convenhamos, ainda mais nos dias de hoje, não é motivo pra sair tirando onda) propriamente dito, ou do que a inveja alheia. Tirando a maldita inveja, todos esses "confortos", além de poderem ser conquistados, são relativos pra esses milhões de mundinhos que existem dentro do nosso mundo. Ignora-los é egoísmo, assim como ignorar a função social da roupa. 

É visível quando o designer leva ou não isso em consideração, o que modestamente me broxa, porque a roupa fica sem o luxo do raciocínio, falta o luxo da arte, falta o requinte da inteligencia, o luxo da criação pró-criativa, que contribui com a sua criatividade como consumidor, espectador, ser humano. 
Dar valor ao que é de valor. E é lógico que se faz assim, fazendo o oposto de quem só pensa no próprio umbigo, fazendo oposto de como insistem em que a gente seja, pessoas plásticas, fazendo coisas de plástico e gastando dinheiro. Cada um a sua maneira, usando as ferramentas cabíveis pra nem que seja discretamente dizer "eu não compactuo com essa merda toda". Dai surge a moda contemporânea, milhares do pessoas usando verdadeiras máscaras delas mesmas, de seus ancestrais, de suas histórias, todas misturadas, mudando o foco da moda 80'tista pra uma "coisa mais sustentável", uma moda que me respeita, respeita meus ancestrais, respeita minha história e principalmente respeita meu intelecto e meu livre arbítrio.

Resumindo: seja em que mundo for, não perca seus valores e não desvalorize os valores dos outros. Pra entender de moda é preciso não se perder por ai...

sobre ferramentas

Sinto constantemente, tão grande e em tantas cores....
Vejo montanhas em horizontes infinitos, milharais, rios, na terra ou no céu, em todas as estações, em todas as condições possíveis e impossíveis. Vejo bichos que provavelmente só nós vimos, plantas que provavelmente só nós vimos, histórias, músicas. Seres, pessoas, espíritos, cada qual em sua condição de ser, independente de mim, com seu próprio livre-arbítrio... Vivendo diversas historias por diversos mundos...
Acaba que é maior que o mundo... São infinitos mundos, todos dentro de mim.
Mas confesso que, assim como aqui na "Terra", no "mundo real", eu também tenho minhas preferencias dentro do infinito. E seria muito egoismo não dividir isso com a "Terra", o "mundo real".

sobre música e loucos

Novamente, batemos na tecla do "ver", quando falamos sobre percepção artística fica meio difícil fugir do "ver". Geralmente, quem vê mais do que é proposto pela física é tachado de louco, porém, são loucos que conseguem viver tranquilamente em sociedade, então, não são patologicamente loucos, são socialmente loucos:  Afinal, pra que ser diferente se posso ser igual a todo mundo? (raciocínio de um adolescente sem personalidade em busca de auto afirmação e afirmação vinda de terceiros, como a gente já passou dessa fase, vou simplesmente ignorar esse tipo de comentário e reflexão. Ela não leva ninguém a lugar nenhum.)


Mozart, enquanto vivo, só foi considerado um gênio pelos seus inimigos, um "gênio temperamental do qual não se podia confiar". Como confiar numa pessoa que não respeita a hierarquia do estado, que não guarda dinheiro,  que não tem a ambição dos nobres, que não liga em estar no palácio em vez de estar na taberna. Mozart, foi um dos primeiros "marginais" da musica de que tenho conhecimento e um dos meus favoritos, já que independente do boicote e da critica cliché que não aceitava seu trabalho na época por conta de ter "notas demais", ele fazia seu trabalho com o maior amor do mundo, tratando cada conserto encomendado como o ultimo, o maior e o melhor de seus consertos, ignorando os "gostos" dos clientes e mostrando pras pessoas as grandes possibilidade que a musica poderia oferecer... Mas, as pessoas não queriam saber de inovações e possibilidades, desde o início dos grandes reinados, dos grandes imperadores, a massa não é adaptada a entender, aceitar  e gostar do que seria novo, por essa necessidade de grupo, de se sentir aceito (e rola o "pão e vinho" também, não da pra interagir a massa com algo iluminador ao ponto dela se revoltar contra o sistema), e pra isso, necessitam ter os mesmos gostos. E foi numa dessa de "gostos" e "deveres sociais" que Mozart morreu pobre e foi enterrado como indigente. Mas o futuro é sempre justo, enquanto Mozart é conhecido hoje como uma revolução na musica clássica, e uma grande influencia na musica contemporânea, os invejosos que boicotaram a sua ascensão em vida estão esquecidos, pois só reproduziam o que essa massa ignorante queria "ver", ganharam dinheiro em vida, mas viraram ninguém na morte. Missão cumprida então?
Eu, graças aos Deuses, cresci escutando Pink Floyd, Queen, Egberto Gismonti e... Mozart, por influência do meu pai, meu condicionamento infantil foi baseado na criatividade e não no gosto popular. O que aprimorou meus sentidos e marginalizou os meus gostos. Aprendi, desde pequeno, a entender a música, entender a situação do artista, e sentir cada batida, nota ou estrofe da musica, percebendo as referencias e construindo sentimentos dentro de mim.
Mas foi depois de grande que eu percebi que na verdade eu gosto de musica de louco, musica de marginal, não o marginal construído pelo estado, mas o cidadão que se auto-marginaliza pelo simples fato de se questionar das coisas que o cercam e buscar respostas, e não se satisfazendo com essas respostas, o louco resolve dividir com o mundo.


Faz sentido uma banda que tá na mídia mas boicota sua estrutura com sua própria arte, uma banda que subliminarmente ou escrachadamente se abstém da estrutura pop da industria musical, e mesmo tando dentro dela, expande a filosofia de que o dinheiro é o de menos (algumas chegam a gritar "não de comida aos tubarões" em sua arte...) e que a função da banda é muito maior do que cegar as pessoas mas muito menor do que dominar o mundo? Se pra você, VOCÊ, isso não faz sentido, eu recomendo reavaliar seus conceitos e refletir sobre seus ideais e os ideais dos outros. E faça isso rápido, antes que te confundam com um psicopata que só vê sentido no físico, no dinheiro e no sistema.




Diferente não pra chamar atenção, diferente porque não sou igual a você e não aceito as mesmas condições que você. Simples assim.

Esqueçam seus condicionamentos e sintam os loucos, eles tem muito pra falar, coisas que a "TV" jamais irá dizer...



terça-feira, 27 de setembro de 2011

Objeto e História

Ela sempre se lembrará desse dia quando pegar essa roupa, do significado, da função, dela, ali  Eis que uma casaco entra pra história, pra história dela, pra história da Inglaterra... 

sobre esconder.


Por pouco que a gente precise, são vários objetos que passam pela nossa vida e acompanham nossa história, por diversos motivos, quem faz o ir e vir não é a gente propriamente dito. Varias condições, todas as que sempre são citadas na construção física e psicológica do individuo, cabem aqui na construção da relação pessoa-objeto. Então surge uma nova linguagem, que não é escrita nem falada, é observada nos detalhes, detalhes da sua história não em você mas nos seus objetos, que automaticamente, escracham a sua relação com a sociedade esparrando suas preferências, suas referências, sua residência, sua vivência, sua renda, seus amigos, seus inimigos e enfim, criando pré-conceitos. Mas a grande questão não é como ser visto, ou é? Eu diria que é como se vê.
 Um primeiro passo seria como "ver" isso, se pluriculturalizar, pra entender o óbvio e conscientemente, fugir dele por questões... óbvias! Uma pseudo-utopia de fazer dos seus objetos mais do que objetos, mas sim, armas para desarmar os armados, para contar mitos, para levar suor, para levar carinho, cuidado, iluminação... 
Vamos ver objetos, não só meus mas de todos que cuidam de sua história! Vamos cuidar do "bom gosto" pra que ele não se perca na mãos dos "acionistas", não somos nós que devemos temê-los, são eles que tem que ter medo da gente... 
É impossível não ser visto, mas é possível não ser hipócrita com nossos valores e ideais, sejam passageiros, birras adolescentes ou uma filosofia de vida. As pessoas sinceras, por mais que interajam com a situação de condicionamento de massa desde os primórdios de sua criação, "cuidam" do que lhes lembram algo notório, nostálgico, algo que lhes "causem", mais que o ego, um sentimento, ou até um possível valor ou filosofia.
E sobre os objetos: Eu realmente não acho que existe a necessidade extrema de descrever a historia de cada um, muito é "sensível aos olhos de quem vê", e o texto é só uma enfase na pesquisa... um guia, do pra onde olha e porque, mas despretensiosamente, afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras.
E sobre esses objetos: o título explica.

crystal heaven

(clique na foto para ampliar)
um dos meus painéis de pesquisa pra minha coleção do verão passado... 

tabu

Eles dizem , que independente de se ver não existe, mas só existe porque posso ver, e só posso ver porque existe. Depois que se aprende a ver, o que eles dizem não importa mais... Rever a carne, mais que a carne, andar por 3 planos, mas, quem mente mais? É a chuva da estação ou o "Rio de Janeiro" na televisão? Eles dizem, que quem mente mais que o "dentro" sou eu, porque é mais fácil acreditar no mais fácil pra se pensar que é mais fácil pra aceitar que é mais fácil pra enxugar. Eles dizem, que se talvez você for, será. Será o molde que te ensinaram a admirar: Uma pessoa vazia... Vazia dos "Deuses", cheia de "Deus", querendo o "bem" dos outros, e principalmente, o seu... É só o que se consegue ver mais que os olhos. Eles dizem, que não tem como se ver sem os olhos. Que olhos? Eles dizem, que existem só cinco sentidos, e eu sempre soube que era mentira... E se eu vejo, existe, existe, e sempre existiu... E não quero parar de ver, ver... Agente canta juntos por 3 planos, enquanto eles vivem pelo que veem... agente acredita na "mentira", e vê...