Uma das grandes tendências do contemporâneo é o "do yourself", que reflete além da época de crise, um raciocínio compromissado com as questões que giram o mundo, fazendo com que as pessoas consumam menos mas com mais consciência, além de consumirem produtos fora de linha, produtos reutilizados e produtos de segunda mão. Isso porque a preocupação com o lixo e com o meio ambiente é real, principalmente no velho mundo. Aqui no Brasil (como qualquer outro emergente) temos esse raciocínio de deslumbre: A gente tem tanto mato que não ver problema numa queimadinha ou outra, a gente tem tanta água que não vê mal em lavar o carro todo fim de semana, ou lavar os pratos 4 vezes por dia, além da previsível desordem financeira que rolou no começo do ano: Estamos com mais dinheiro então vamos gastar tudo. Consequência, tá todo mundo endividado de novo. Mas, quem gira as "engrenagens da moda" são poucos, então vou focar nesse nicho de pessoas que não são deslumbradas, de pessoas que aprendem com os erros dos outros, que precisam passar por menos situações lamentáveis para adquirir uma conduta mais "sustentável" e que conseguem estar sempre bem sem precisar gastar mundos e fundos todo fim de semana pra se auto-afirmar perante o grupo que deseja.
Uma coisa que é fato e que eu vi que poucas pessoas que "consomem moda" aqui em Brasília sabem, é que a roupa, depois de comprada, é sua! Isso mesmo, SUA! Sua pra você fazer o que te der na telha, pra usar do jeito que você entender como valido. E não custa nada experimentar. As pessoas devem fazer experimentos loucos com suas peças, tentarem outras maneiras de usar a mesma roupa, uma hora sempre sai algo legal, só tem que tentar.
(cardigã abotoado nas costas)
(saia: camisa social masculina customizada com spray)
Com criatividade, o desespero de olhar seu guarda-roupa e sair desesperadamente pra um shopping porque você acha que não tem roupa, simplesmente desaparece. A gente sempre tem roupa, é só da uma ajeitada aqui, uma cortada ali, mudar a proposta da peça e pronto, uma roupa novinha e exclusiva! Muitos estilistas, por conta dessa mesma tendência, projetam peças versáteis que se transformam em diversas outras, o que é muito bom, já que você pode passar um dia inteiro na rua e mudar de look quando quiser com as mesmas peças. Mas do que adianta o estilista se preocupar com versatilidade e as possibilidades da peça se o consumidor não entender que a roupa é dele pro que der e vier? Fica difícil sim, mas não impossível.
(short: jeans velho customizado)
(poncho: saia de malha customizada no tie-dye)
Pensar "eu tenho dinheiro, posso comprar tudo novo" é praticamente um auto-boicote nos dias de hoje, sendo que você pode observar em qualquer site ou blog de moda e comportamento um pouco mais descompromissado com a industria do consumo, que "it girls" por acidente, celebridades esclarecidas e formadores de opinião com opinião formada por conta própria já tem essa cultura enraizada nos seus visuais tem alguns anos, não é de agora que agente ouve falar em high/low, customização e brechós como as coisas mais legais do mundo, porque é o consumidor fazendo moda (e é ele, ou seja, a gente que faz essa bodega acontecer), com todas as possibilidades que já existiram, criando a sua moda o que consequentemente faz a "engrenagem girar". Até chegar na situação dos designer simularem essas situações nos "prêt-à-porter" de luxo, o que ficou chato pro consumidor de "luxo" clássico, afinal já tem um monte de gente na rua usando tudo isso e gastando muito, mas muito menos do que eles.
(tomara que caia: camisa social masculina tamanho G
saia: vestido vintage drapeado com alfinetes de segurança e com o forro amostra)
Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de bom senso! É uma questão de menos lixo, menos poluição, menos trabalho escravo, menos desigualdade social, menos ego e mais criatividade, mais seres-humanos fazendo o que eles sabem fazer: se adaptando as diversas situações do mundo. Descompromissadamente brincando de ser Deus um pouquinho todo dia, na hora de olhar pro guarda roupa e escolher a máscara que ele vai mostrar pro mundo naquele momento.
(camisa: robe de seda vintage
calça: Jeans masculino tamanho 46)
Pelo bem da possível cultura de moda que se constrói aos poucos aqui em brasília acredite em mim quando eu digo: Você pode ser a pessoa mais linda, mais bem vestida, mais moderna, mais antenada, mais tudo (não que a meta seja essa, no fundo, acho que a gente só não quer ser discriminado por alguma coisa) de um cocktail de luxo gastando o preço do esmalte da dondoca, misturando peças novas com peças da sua avó ou avô, usando da sua criatividade pra mostrar criatividade e o qual luxuoso é ser você, sem aparentar que você é um pobre coitado tentando se misturar com os "ricos" e estar no mesmo nivel deles. É só experimentar, tentar, e não ter medo de ser feliz. O segredo de um bom look é a auto-confiança, se é mais fácil quando se gasta horrores numa roupa meia boca eu não sei, mas que quando a gente tem, a gente simplesmente brilha, seja de gucci ou de renner, a gente brilha!
(clique nas fotos para ampliar - acho um saco ter que escrever isso, todo mundo já sabe usar a internet ¬¬)




