É sério, a gente devia realmente saber fazer valer a função de máscara da roupa para/e confundir, por conta própria, sem esperar aparecer na vogue ou coisa parecida. Se adaptar às situações com sabedoria e sem hipocrisia, meio que não é algo impossível como eu vejo muita gente falando. Cada ser que nasce cria um mundo peculiar, dele, que quando se juntam em grupos criam outros pequenos mundos, dele e dos outros, que quando se juntam com outros grupos criam outros mundos e assim por diante. O pensamento "preciso ter amigos, preciso ser popular, preciso ser bonito, preciso ser rico, preciso massagear meu ego e etc" não é o único raciocínio que existe e também não é sinônimo de esperteza, na verdade, é um raciocínio muito pequeno perto de tudo que faz esse mundo girar e as pessoas sabem disso, não se engane em achar que por que você conseguiu atingir todos esses ideais vazios sem esforço algum, todo mundo vai ter inveja de você (todo mundo conhece, ou conheceu, alguém que gosta de ter gente invejando o cidadão). Qualquer pessoa um pouco mais esclarecida e bem resolvida almeja algo bem maior do que o "conforto" (e convenhamos, ainda mais nos dias de hoje, não é motivo pra sair tirando onda) propriamente dito, ou do que a inveja alheia. Tirando a maldita inveja, todos esses "confortos", além de poderem ser conquistados, são relativos pra esses milhões de mundinhos que existem dentro do nosso mundo. Ignora-los é egoísmo, assim como ignorar a função social da roupa.
É visível quando o designer leva ou não isso em consideração, o que modestamente me broxa, porque a roupa fica sem o luxo do raciocínio, falta o luxo da arte, falta o requinte da inteligencia, o luxo da criação pró-criativa, que contribui com a sua criatividade como consumidor, espectador, ser humano.
Dar valor ao que é de valor. E é lógico que se faz assim, fazendo o oposto de quem só pensa no próprio umbigo, fazendo oposto de como insistem em que a gente seja, pessoas plásticas, fazendo coisas de plástico e gastando dinheiro. Cada um a sua maneira, usando as ferramentas cabíveis pra nem que seja discretamente dizer "eu não compactuo com essa merda toda". Dai surge a moda contemporânea, milhares do pessoas usando verdadeiras máscaras delas mesmas, de seus ancestrais, de suas histórias, todas misturadas, mudando o foco da moda 80'tista pra uma "coisa mais sustentável", uma moda que me respeita, respeita meus ancestrais, respeita minha história e principalmente respeita meu intelecto e meu livre arbítrio.
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