Mozart, enquanto vivo, só foi considerado um gênio pelos seus inimigos, um "gênio temperamental do qual não se podia confiar". Como confiar numa pessoa que não respeita a hierarquia do estado, que não guarda dinheiro, que não tem a ambição dos nobres, que não liga em estar no palácio em vez de estar na taberna. Mozart, foi um dos primeiros "marginais" da musica de que tenho conhecimento e um dos meus favoritos, já que independente do boicote e da critica cliché que não aceitava seu trabalho na época por conta de ter "notas demais", ele fazia seu trabalho com o maior amor do mundo, tratando cada conserto encomendado como o ultimo, o maior e o melhor de seus consertos, ignorando os "gostos" dos clientes e mostrando pras pessoas as grandes possibilidade que a musica poderia oferecer... Mas, as pessoas não queriam saber de inovações e possibilidades, desde o início dos grandes reinados, dos grandes imperadores, a massa não é adaptada a entender, aceitar e gostar do que seria novo, por essa necessidade de grupo, de se sentir aceito (e rola o "pão e vinho" também, não da pra interagir a massa com algo iluminador ao ponto dela se revoltar contra o sistema), e pra isso, necessitam ter os mesmos gostos. E foi numa dessa de "gostos" e "deveres sociais" que Mozart morreu pobre e foi enterrado como indigente. Mas o futuro é sempre justo, enquanto Mozart é conhecido hoje como uma revolução na musica clássica, e uma grande influencia na musica contemporânea, os invejosos que boicotaram a sua ascensão em vida estão esquecidos, pois só reproduziam o que essa massa ignorante queria "ver", ganharam dinheiro em vida, mas viraram ninguém na morte. Missão cumprida então?
Eu, graças aos Deuses, cresci escutando Pink Floyd, Queen, Egberto Gismonti e... Mozart, por influência do meu pai, meu condicionamento infantil foi baseado na criatividade e não no gosto popular. O que aprimorou meus sentidos e marginalizou os meus gostos. Aprendi, desde pequeno, a entender a música, entender a situação do artista, e sentir cada batida, nota ou estrofe da musica, percebendo as referencias e construindo sentimentos dentro de mim.
Mas foi depois de grande que eu percebi que na verdade eu gosto de musica de louco, musica de marginal, não o marginal construído pelo estado, mas o cidadão que se auto-marginaliza pelo simples fato de se questionar das coisas que o cercam e buscar respostas, e não se satisfazendo com essas respostas, o louco resolve dividir com o mundo.
Faz sentido uma banda que tá na mídia mas boicota sua estrutura com sua própria arte, uma banda que subliminarmente ou escrachadamente se abstém da estrutura pop da industria musical, e mesmo tando dentro dela, expande a filosofia de que o dinheiro é o de menos (algumas chegam a gritar "não de comida aos tubarões" em sua arte...) e que a função da banda é muito maior do que cegar as pessoas mas muito menor do que dominar o mundo? Se pra você, VOCÊ, isso não faz sentido, eu recomendo reavaliar seus conceitos e refletir sobre seus ideais e os ideais dos outros. E faça isso rápido, antes que te confundam com um psicopata que só vê sentido no físico, no dinheiro e no sistema.
Diferente não pra chamar atenção, diferente porque não sou igual a você e não aceito as mesmas condições que você. Simples assim.
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